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segunda-feira, 26 de julho de 2010

Do Código Florestal para o Código da Biodiversidade

por Aziz Ab’Saber
Em face do gigantismo do território e da situação real em que se encontram os seus macro biomas – Amazônia Brasileira, Brasil Tropical Atlântico, Cerrados do Brasil Central, Planalto das Araucárias, e Pradarias Mistas do Brasil Subtropical – e de seus numerosos mini-biomas, faixas de transição e relictos de ecossistemas, qualquer tentativa de mudança no “Código Florestal” tem que ser conduzido por pessoas competentes e bioeticamente sensíveis. Pressionar por uma liberação ampla dos processos de desmatamento significa desconhecer a progressividade de cenários bióticos, a diferentes espaços de tempo futuro. Favorecendo de modo simplório e ignorante os desejos patrimoniais de classes sociais que só pensam em seus interesses pessoais, no contexto de um país dotado de grandes desigualdades sociais.
Cidadãos d e classe social privilegiada, que nada entendem de previsão de impactos. Não tem qualquer ética com a natureza. Não buscam encontrar modelos tecnico-científicos adequados para a recuperação de áreas degradadas, seja na Amazônia, , seja no Brasil Tropical Atlântico, ou alhures. Pessoas para as quais exigir a adoção de atividades agrárias “ecologicamente auto-sustentadas” é uma mania de cientistas irrealistas.
Por muitas razoes, se houvesse um movimento para aprimorar o atual Código Florestal, teria que envolver o sentido mais amplo de um Código de Biodiversidades, levando em conta o complexo mosaico vegetacional de nosso território. Remetemos essa idéia para Brasília, e recebemos em resposta que essa era uma idéia boa mas complexa e inoportuna (…). Entrementes, agora outras personalidades trabalham por mudanças estapafúrdias e arrasadoras no chamado Código Florestal. Razão pela qual ousamos criticar aqueles que insistem em argumentos genéricos e perigosos para o futuro do país. Sendo necessário, mais do que nunca, evitar que gente de outras terras sobretudo de países hegemônicos venha a dizer que fica comprovado que o Brasil não tem competência para dirigir a Amazônia (…). Ou seja, os revisores do atual Código Flo r estal não teriam competência para dirigir o seu todo territorial do Brasil. Que tristeza, gente minha.
O primeiro grande erro dos que no momento lideram a revisão do Código Florestal brasileiro – a favor de classes sociais privilegiadas – diz respeito à chamada estadualização dos fatos ecológicos de seu território especifico. Sem lembrar que as delicadíssimas questões referentes à progressividade do desmatamento exigem ações conjuntas dos órgãos federais específicos, em conjunto com órgãos estaduais similares, uma Policia Federal rural, e o Exercito Brasileiro. Tudo conectado ainda com autoridades municipais, que tem muito a aprender com um Código novo que envolve todos os macro-biomas do pais, e os mini-biomas que os pontilham, com especial atenção para as faixas litorâneas, faixas de contato entre as áreas nucleares de cada domínio morfoclimatico e fitogeográfico do território. Para pessoas inteligente s , capazes de prever impactos, a diferentes tempos do futuro, fica claro que ao invés da “estadualização”, é absolutamente necessário focar para o zoneamento físico e e cológico de todos os domínios de natureza dos pais. A saber, as duas principais faixas de Florestas Tropicais Brasileiras: a zonal amazônica e a azonal das matas atlânticas o domínio dos cerrados, cerradoes e campestres: a complexa região semi-árida dos sertões nordestinos: os planaltos de araucárias e as pradarias mistas do Rio Grande do Sul, alem de nosso litoral e o Pantanal Mato-grossense.
Seria preciso lembrar ao honrado relator Aldo Rabelo, que a meu ver é bastante neófito em matéria de questões ecológicas, espaciais e em futurologia – que atualmente na Amazônia Brasileira predomina um verdadeiro exercito paralelo de fazendeiros que em sua área de atuação tem mais força do que governadores e prefeitos. O que se viu em Marabá, com a passagem das tropas de fazendeiros, passando pela Avenida da Transamazônica, deveria ser conhecido pelos congressistas de Brasília, e diferentes membros do executivo. De cada uma das fazendas regionais passava um grupo de cinqüenta a sessenta camaradas, tendo a frente em cavalos nobres, o dono da fazenda e sua esposa, e os filhos em cavalos lindos.
E,os grupos iam passando separados entre si, por alguns minutos. E , alguém a pé, como se fosse um comandante, controlava a passagem da cavalgada dos fazendeiros. Ninguém da boa e importante cidade de Marabá saiu para observar a coluna amedrontadora dos fazendeiros. Somente dois bi cicletistas meninos, deixaram as bicicletas na beira da calçada olhando silentes a passagem das tropas. Nenhum jornal do Pará, ou alhures, noticiou a ocorrência amedrontadora. Alguns de nós não pudemos atravessar a ponte para participar de um evento cultural.
Será certamente, apoiados por fatos como esse, que alguns proprietários de terras amazônicas deram sua mensagem, nos termos de que “a propriedade é minha e eu faço com ela o que eu quiser, como quiser e quando quiser”. Mas ninguém esclarece como conquistaram seus imensos espaços inicialmente florestados. Sendo que, alguns outros, vivendo em diferentes áreas do cetro-sul brasileiro, quando perguntados sobre como enriqueceram tanto, esclarecem que foi com os “seus negócios na Amazônia” (…). Ou sejam, através de loteamentos ilegais, venda de glebas para incautos em locais de difícil acesso, os quais ao fim de um certo tempo, são libertados para madeireiros contumazes. E, o fato mais infeliz é que ninguém procura novos conhecimentos para re-utilizar ter ras degradadas. Ou exigir dos governantes tecnologias adeq u adas para revitalizar os solos que perderam nutrientes e argilas, tornando-se dominadas por areias finas (siltizaçao).
Entre os muitos aspectos caóticos, derivados de alguns argumentos dos revisores do Código, destaca-se a frase que diz que se deve proteger a vegetação até sete metros e meio do rio. Uma redução de um fato que por si já estava muito errado, porém agora esta reduzido genericamente a quase nada em relação aos grandes rios do pais. Imagine-se que para o rio Amazonas, a exigência protetora fosse apenas sete metros, enquanto para a grande maioria dos ribeirões e córregos também fosse aplicada a mesma exigência. Trata-se de desconhecimento entristecedor sobre a ordem de grandeza das redes hidrográficas do território intertropical brasileiro. Na linguagem amazônica tradicional, o próprio povo já reconheceu fatos referentes à tipologia dos rios regionais. Para eles, ali existem, em ordem crescente: igarapés, riozinhos , rios e parás. Uma última divisão lógica e pragmática, que é aceita por todos os que conhecem a realidade da rede fluvial amazônica.
Por desconhecer tais fatos os relatores da revisão aplicam o espaço de sete metros da beira de todos os cursos d’água fluviais sem mesmo ter ido lá para conhecer o fantástico mosaico de rios do território regional.
Mas o pior é que as novas exigências do Código Florestal proposto têm um caráter de liberação excessiva e abusiva. Fala-se em sete metros e meio das florestas beiradeiras (ripario-biomas), e, depois em preservação da vegetação de eventuais e distantes cimeiras. Não podendo imaginar quanto espaço fica liberado para qualquer tipo de ocupação do espaço. Lamentável em termos de planejamento regional, de espaços rurais e silvestres. Lamentável em termos de generalizações forçadas por grupos de interesse (ruralistas).
Já se poderia prever que um dia os interessados em terras amazônicas iriam pressionar de novo pela modificação do percentual a ser preservado em cada uma das propriedades de terras na Amazônia. O argumento simplista merece uma critica decisiva e radical. Para eles, se em regiões do centro-sul brasileiro a taxa de proteção interna da vegetação florestal é de 20%, porque na Amazônia a lei exige 80%. Mas ninguém tem a coragem de analisar o que aconteceu nos espaços ecológicos de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, e Minas Gerais com o percentual de 20%. Nos planaltos interiores de São Paulo a somatória dos desmatamentos atingiu cenários de generalizada derruição. Nessas importantes áreas, dominadas por florestas e redutos de cerrados e campestres, somente o tombamento integrado da Serra do Mar, envolvendo as mata s atlânticas, os solos e as aguadas da notável escarpa, foi capaz de resguardar os ecossistemas orográficos da acidentada região. O restante, nos “mares de morros” , colinas e várzeas do Médio Paraíba e do Planalto Paulistano, e pró-parte da Serra da Mantiqueira, sofreram uma derruição deplorável. É o que alguém no Brasil – falando de gente inteligente e bioética – não quer que se repita na Amazônia Brasileira, em um espaço de 4.200.000 km².
Os relatores do Código Florestal, falam em que as áreas muito desmatadas e degradadas poderiam ficar sujeitas a “(re)florestamento” por espécies homogêneas pensando em eucalipto e pinus. Uma prova de sua grande ignorância, pois não sabem a menor diferença entre reflorestamento e florestramento. Esse último,pretendido por eles, é um fato exclusivamente de interesse econômico empresarial, que infelizmente não pretende preservar biodiversidades. Sendo que, eles procuram desconhecer que para áreas muito degradadas, foi feito um plano de (re) organização dos espaços remanescentes, sob o enfoque de revigorar a economia de pequenos e médios proprietários: Projeto FLORAM. Os eucaliptólogos perdem éticos quando alugam espaços por trinta anos, de incautos proprietários, preferindo áreas dotadas ainda de solos tropicais férteis,do tipo dos oxissolos, e evitando as áreas degradadas de morros pelados reduzidas a trilhas de pisoteio, hipsométricas, semelhantes ao protótipo existente no Planalto do Alto Paraíba, em São Paulo. Ao arrendar terras de bisonhos proprietários, para uso em 30 anos, e sabendo que os donos da terra podem morrer quando se completar o prazo. Fato que cria um grande problema judicial para os herdeiros, sendo que ao fim de uma negociação as empresas cortam todas as árvores de eucaliptos ou pinos, deixando miríades de troncos no chão do espaço terrestre. Um cenário que impede a posterior reutilização das terras para atividades agrárias. Tudo isso deveria ser conhecido por aqueles que defendem ferozmente um Código Florestal liberalizante.
Por todas as razoes somos obrigados a criticar a persistente e repetitiva argumentação do deputado Aldo Rebelo,que conhecemos ha muito tempo, e de quem sempre esperávamos o melhor, no momento somos obrigados a lembrar a ele que cada um de nós tem que pensar na sua biografia, e , sendo político, tem que honrar a historia de seus partidos. Mormente,em relação aos partidos que se dizem de esquerda e jamais poderiam fazer projetos totalmente dirigidos para os interesses pessoais de latifundiários.
Insistimos que em qualquer revisão do Código Florestal vigente, deve-se enfocar as diretrizes através das grandes regiões naturais do Brasil, sobretudo domínios de natureza muito diferentes entre si, tais como a Amazônia, e suas extensíssimas florestas tropicais, e o Nordeste Seco, com seus diferentes tipos de caatingas. Tratam-se de duas regiões opósitas em relação à fisionomia e à ecologia, assim como em face das suas condições socioambientais. Ao tomar partido pelos grandes domínios administrados técnica e cientificamente por órgãos do executivo federal, teríamos que conectar instituições específicas do governo brasileiro com instituições estaduais similares. Existem regiões como a Amazônia que envolve conexões com nove estados do Norte Brasileiro. Em relação ao Brasil Tropical Atlântico os órgãos do Governo Federal – IBAMA, IPHAN, FUNAI e INCRA – teriam que manter conexões com os diversos setores similares dos governos estaduais de norte a sul do Brasil. E assim por diante.
Enquanto o mundo inteiro repugna para a diminuição radical de emissão de CO2, o projeto de reforma proposto na Câmara Federal de revisão do Código Florestal defende um processo que significará uma onda de desmatamento e emissões incontroláveis de gás carbônico, fato observado por muitos críticos em diversos trabalhos e entrevistas.
Parece ser muito difícil para pessoas não iniciadas em cenários cartográficos perceber os efeitos de um desmatamento na Amazônia de até 80% das propriedades rurais silvestres. Em qualquer espaço do território amazônico, que vem sendo estabelecidas glebas com desmate de até 80%,haverá um mosaico caótico de áreas desmatadas e faixas inter-propriedades estreitas e mal preservadas. Nesse caso, as bordas dos restos de florestas, inter-glebas ficarão à mercê de corte de arvores dotadas de madeiras nobres. E além disso, a biodiversidade animal certamente será profundamente afetada.
Seria necessário que os pretensos reformuladores do Código Florestal lançassem sobre o papel os limites de glebas de 500 a milhares de quilômetros quadrados, e dentro de cada parcela das glebas colocasse indicações de 20% correspondente às florestas ditas preservadas. E, observando o resultado desse mapeamento simulado, poderiam perceber que o caminho da devastação lenta e progressiva iria criar alguns quadros de devastação similares ao que já aconteceu nos confins das longas estradas e seus ramais, em áreas de quarteirões implantados para venda de lotes de 50 a 100 hectares, onde o arrasamento de florestas no interior de cada quarteirão foi total e inconseqüente.

http://www.ivanvalente.com.br/?p=7203

Fim-de-semana em campanha!


Eu, Jurandir e o Prof. Lucas no Café / crédito: Bernardo Corrêa
Sábado, estive em Pelotas participando da “plenária de arrancada” da campanha do candidato a deputado estadual, Jurandir Silva.  Me acompanharam na atividade, que aconteceu na sede do nosso partido, o candidato do PSOL ao Senado, professor Lucas, Maicon Natchigall, candidato a deputado federal, e a coordenadora da minha campanha ao governo, a vereadora Fernanda Melchionna.
Depois do evento nós fomos tomar um café no tradicional Café Aquarius, no centro da cidade onde encontramos apoiadores  e discutimos os problemas da Metade-sul do Estado e as propostas  do PSOL para solucioná-los.
Minha visita a Pelotas encerrou no jantar de lançamento da candidatura a Deputado federal de Maicon Natchigall, que estava muito movimentado.
No Domingo, estive no Brique da Redenção em Porto Alegre. Eu, Luciana Genro e Roberto Robaina apresentamos as nossas propostas e pedimos votos para as pessoas que foram passear no Parque.

Seguimos na luta,
Forte abraço!
Pedro Ruas

http://pedroruaspsol.wordpress.com/2010/07/12/fim-de-semana-em-campanha/#comment-63

No período eleitoral todos defendem escolas de turno integral

No período eleitoral todos defendem escolas de turno integral


Fiquei indignado com a promessa que Yeda Crusius fez no final de semana. Yeda disse que se fosse reeleita faria turno integral nas escolas estaduais.  Mas porque ela não fez isso durante seus quatro anos de governo?  Será que ela está pensando em fazer turno integral nas escolas de lata?
 Também me indigno com Fogaça e Tarso Genro. Eles também já tiveram a oportunidade de colocar o projeto em prática e nunca fizeram. Agora, demagogicamente, voltam a defendê-lo.  Nós somos o único partido que quer implementar as escolas em turno integral nos moldes pensado por Darci Ribeiro e implementadas, no Rio de Janeiro, pelo então governador Leonel Brizola. Isso é um compromisso e consta no nosso programa.
Forte abraço!
Pedro Ruas
Foto: Higino Barros


http://pedroruaspsol.wordpress.com/2010/07/20/no-periodo-eleitoral-todos-defendem-escolas-de-turno-integral/

Pior a emenda que o soneto

Pior a emenda que o soneto

Quando o prefeito e o secretário municipal de Urbanismo me chamaram para uma conversa sobre a cidade, logo no começo da nova gestão, um dos assuntos urgentes era a revisão do Plano Diretor, um processo que se iniciou na Câmara Municipal no ano passado. Se houve o convite, foi pelo reconhecimento do acúmulo de experiência e trabalho do nosso mandato, especialmente frente ao Plano Diretor Decenal.
Por ter, de fato, conhecimento sobre a causa, expus todas as minhas preocupações ao prefeito. Disse a ele que o Plano Diretor de 1992 deveria ter passado por uma revisão em 2002. Ou seja, são 18 anos de uma estratégia traçada para uma cidade que não existe mais. Frisei que de nada adiantaria uma revisão sem a realização de um profundo diagnóstico do Rio de Janeiro, sob todas as suas faces.
Para que a revisão do Plano do Diretor fosse real, assinalei que era preciso um mapeamento da cidade, com trabalho de campo posterior para confrontar dados técnicos e realidade. Seria necessária também uma ampla participação da sociedade e discussões abertas sobre os diversos setores que o Plano Diretor abrange para que este novo planejamento se constituísse naquilo que a cidade exige e necessita para evoluir de forma plena. Nada disso aconteceu.
Mais grave. Neste processo de revisão sequer foram observados exigências cruciais como a adequação, ao Estatuto da Cidade, do Substituto n° 3 – proposta que constitui a base da revisão do Plano Diretor-, como foi recomendado pelo Ministério Público à Mesa Diretora da Câmara Municipal. Também não foram cumpridas as disposições transitórias que exigiam uma primeira revisão do Plano após cinco anos e deveriam ter estabelecido os instrumentos institucionais, fiscais, urbanísticos, tributários, e os demais, que regeriam a aplicação do que foi decidido pelo Plano Diretor.
Como se vê, é preciso começar do zero. É preciso começar o que nunca foi feito. Caso contrário, o Plano Diretor que a Câmara revisará não passará de uma farsa. Executivo e Legislativo tem sido coniventes ao permitir que a tramitação prossiga. E não podem alegar inocência ou desinformação sobre o risco de o Plano Diretor, por exemplo, promover a alteração da legislação urbanística vigente e os parâmetros das Áreas de Proteção do Ambiente Cultural (Apacs) que, na prática, impedem a especulação imobiliária em áreas valorizadas da cidade. Não consegui entender o motivo de espanto do prefeito com a noticia veiculada recentemente na midia.
Especialistas do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional (IPPUR/UFRJ) , do Grupo de Apoio Técnico ao Ministério Público e movimentos sociais já haviam feito duras críticas ao texto revisado, críticas estas encaminhadas à Comissão Especial do Plano Diretor da Câmara do Rio. Com base no relatório do IPPUR, foi instaurado um inquérito civil junto ao Ministério Público, a pedido de entidades civis, de nosso e de outros mandatos, a fim de impedir que este plano seja sacramentado. Caso seja aprovado, o Ministério Público adianta que a Procuradoria Geral da Justiça poderá arguir inconstitucionalidade do projeto por tudo que foi exposto até aqui. E o Plano Diretor será arquivado.
Quem não vem acompanhando o processo de revisão do Plano Diretor da Câmara, talvez tenha se surpreendido ao saber que o Plano Diretor recebeu 1051 emendas dos vereadores, 45 emendas do Executivo e 47 emendas e subemendas. As emendas do Executivo mudaram 96% do teor do Substitutivo n° 3, que praticamente deixou de existir. Não bastasse este arremedo de Plano – um total desconhecido-, na calada da noite foram apresentadas mais 86 emendas de autoria desconhecida e sem numeração, fato sem precedentes no Legislativo e que traz à tona a gravidade da situação.
A conversa com o prefeito morreu na praia. Estamos na iminência de mais uma vez provar para a população que o Legislativo é inoperante, pouco confiável e nada atuante. É isso mesmo?

http://eliomarcoelho.wordpress.com/2010/06/30/pior-a-emenda-que-o-soneto/

Rio Antigo, toda sexta!

Rio Antigo, toda sexta!

O Corcovado, antes conhecido como Pináculo da Tentação, ganhou a estátua do Cristo Redentor no dia 12 de outubro de 1931. A construção do monumento foi resultado de um clamor público. Uma lista com 20 mil assinaturas foi encaminhada ao então presidente Eptácio Pessoa, em 1922, pedindo permissão para que a imagem fosse erguida no morro. As obras duraram cinco anos e criaram o ícone da cidade do Rio de Janeiro, que foi reinaugurado na última quarta-feira depois de meses de reforma.

http://eliomarcoelho.wordpress.com/2010/07/01/rio-antigo-toda-sexta-55/

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Sarau, Chorinho e Samba na Praça Elis Regina!

Data: domingo,25 de julho de 2010
Hora: 13:00
Localização: Na Praça Elis Regina (Butantã)
No dia 25 de julho, domingo, faremos mais uma atividade em defesa da Praça Elis Regina.
Teremos sarau, chorinho e samba, além de mais uma edição do nosso brechó!
Esperamos vocês lá!



Fonte: 

http://mauriciocosta.blog.br/2010/07/20/sarau-praca-elis-regina-25-07/

Programa de Campanha - Jean Wyllys para Deputado Federal 5005 PSOL RJ!!!

Um novo candidato para uma nova política

Compromisso de mandato

ÉTICA PÚBLICA

Assumo o compromisso de honrar meu mandato, não cedendo a quaisquer esquemas de corrupção e procurando denunciá-los sempre que os flagrar, por entender que a violência praticada por parlamentares corruptos – os crimes de colarinho branco - equivale àquela dos que roubam a mão armada:
levando dinheiro em cuecas, meias e malas para dar apoio a políticas nefastas do executivo ou, simplesmente, para fechar os olhos diante dos abusos
praticados pelo executivo, os parlamentares corruptos matam muito mais gente, pois os recursos que eles desviam poderiam ser usados para salvar vidas
em serviços públicos de saúde decentes, transportes seguros, em obras de prevenção contra desastres como os ocorridos no Rio de Janeiro e no Nordeste
durante as últimas chuvas ou numa educação que dê perspectivas à juventude. Muito antes de pensar em me candidatar já apoiava iniciativas da sociedade
civil como a ABRACCI – Articulação Brasileira Contra a Corrupção e a Impunidade. Desde já, filiei-me a um partido que trabalha arduamente no combate à corrupção eleitoral e à venda de votos; e que prima por campanhas limpas em todos os sentidos. Por tudo isso, adotei, como slogan, “um novo candidato
para uma nova política”.

DIREITOS HUMANOS E LIBERDADES CIVIS
Primeiro eu quero esclarecer que as minhas propostas para os LGBTs fazem parte de um conjunto maior de propostas em favor dos Direitos
Humanos e das liberdades civis. Bom, além de me engajar na defesa de projetos de lei que já tramitam no Congresso Nacional, como o que criminaliza a
homofobia e o que institui a união estável ou a parceria civil ou, ainda, como alguns preferem, o “casamento” entre homossexuais, além disso, vou lutar
contra a aprovação do projeto de lei que proíbe casais homossexuais de adotar crianças. É inadmissível que parlamentares fundamentalistas religiosos
preferiam ver crianças apodrecendo de solidão e desafeto - e, em alguns casos, sofrendo maus tratos - em orfanatos do que as ver em lares constituídos por
casais homossexuais, recebendo afeto, proteção e conforto material! Isto é inadmissível! Além disso, se eleito, vou cumprir meu papel legislativo de fiscalizar
a implantação do Plano Nacional de Direitos Humanos e do Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT por parte do Poder
Executivo e de acompanhar processos que tramitam no Supremo Tribunal Federal e que são do interesse dos LGBT, como os relacionados à união estável
entre homossexuais e ao reconhecimento e adoção do nome social de travestis e transexuais (há inclusive o Projeto de Lei da Câmara 072/2007 que prevê
a substituição do nome de pessoa transexual por cuja aprovação pretendo lutar). Outros projetos específicos para os LGBT surgirão ao longo do mandato,
dependendo das necessidades desta comunidade à qual pertenço, e serão construídos em parceria com o movimento social.
MEIO AMBIENTE
O meio ambiente também vai estar entre as minhas preocupações como parlamentar. Não só o meio ambiente entendido como o que resta de nossas
florestas e espécies ameaçadas de extinção, mas como espaço da teia de relações entre os seres humanos e outros seres vivos e minerais (a água é um
mineral, não nos esqueçamos de sua importância para vida). Pretendo fiscalizar as políticas do Executivo para o meio ambiente e propor leis que assegurem
o desenvolvimento sustentável por reconhecer o planeta como um organismo vivo do qual fazemos parte e do qual dependemos para continuar existindo.
EDUCAÇÃO CIDADÃ
Como professor, eu pretendo ainda dar atenção especial à educação (à pública em especial), por meio de projetos de lei que promovam e assegurem
uma educação para uma cultura sustentável e para a diversidade cultural. Sem educação de qualidade para todos, a gente não desenvolve nosso
potencial como povo nem forma cidadãos ativos e que respeitem o ambiente em que vivem e as pessoas diferentes com quem convivem.
ESTADO LAICO E DE DIREITOS
A defesa do estado laico e de direitos, livre de paixões religiosas, e o combate à intolerância religiosa também vai estar em minha agenda de parlamentar.
Acredito que, por sermos um povo diverso culturalmente, o estado deve assegurar aos cidadãos a liberdade de crença e de livre expressão dessa
crença sem que a mesma seja difamada e/ou oprimida por pessoas de outros credos.
Acabo de apresentar minha proposta de trabalho. Conto com você nessa luta que é nossa, é de todos nós.

DIREITOS HUMANOS: Trabalho escravo

Fiscalizar e promover ações para eliminação definitiva do trabalho escravo no país.
“É chegada a hora de encaminhar projetos de lei contra o trabalho escravo às nossas câmaras de vereadores e assembléias legislativas; de pedir denunciar os casos de escravidão à imprensa ou na internet e cobrar providências aos nossos prefeitos e governadores...
É chegada a hora de coletar mais assinaturas a favor da PEC 438 e enviá-las à Câmara Federal para que a mesma seja votada em segundo turno.” (A
escravidão nos desafia)

DIVERSIDADE: Combate ao bullying
Promover a conscientização da violência representada pelo bullying e
criar políticas de valorização da diversidade.
“O combate ao bullying passa por políticas de educação que estimulem,
entre os alunos (e também entre os professores!), os valores humanistas e o
respeito à diversidade.” (O que havia antes do bullying)

LIBERDADE DE EXPRESSÃO: Livre expressão das individualidades
Defender a liberdade de se expressar, e principalmente de ser, para
todo cidadão, independentemente de credo, raça, posicionamento político
ou orientação sexual.
“Este ambiente só pode ser desconstruído com atitudes como a sua - que
não tem medo de ser - e com o efeito pedagógico de leis que criminalizem
a homofobia e assegurem o direito de ser e o direito à vida àqueles que
também são cidadãos deste estado que se pretende democrático: nós,
homossexuais.” (Carta aberta a Jefferson Lessa)

DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE: Proteção da infância em
todos os seus aspectos
Criar políticas públicas de proteção e de formação da cidadania das
crianças e adolescentes, principalmente nas áreas mais carentes.
“...Mas e a violência do Estado contra as crianças, quando lhes negam
alimentação, serviços de saúde e educação de qualidade e segurança
pública? Quem vai punir esta violência?... Resumindo, é preciso proteger a
infância em todos os seus aspectos, atentando para as violências que, de
fato, a ameaçam!” (Os lírios nascem das leis)
DEFESA DA MULHER: Violência sistemática contra as mulheres
Intensificar as ações de proteção à mulher e contra toda e qualquer forma de violência covarde.
“Como homem homossexual solidário às mulheres, eu me interessei pela repercussão do caso Eliza Samudio... não só aquela violência ordinária, construída ao longo dos anos em que uma menina se transforma em mulher e aprende a se tornar vítima,
ou aquela violência mortal que, por exemplo, pôs fim à vida de Eliza, mas, principalmente, por perceber aquela violência sistemática dirigida contra
todas as mulheres e que se expressa primeiramente na linguagem.” (Toda mulher é meio Eliza Samudio).

segunda-feira, 19 de julho de 2010

"Os partidos abrem mão de seus ideais em troca de apoio dos religiosos", diz Luciana Genro

Por Marcelo Hailer 19/7/2010 - 13:18

Luciana Genro, 39, iniciou sua vida política no Partido dos Trabalhadores (PT), no Rio Grande do Sul. Em 1994, foi eleita deputada estadual com 17 mil votos. Quatro anos depois, se reelegeria com o dobro de votos. Em seu segundo mandato, Luciana se tornaria uma liderança do PT gaúcho, prova disso é que se elegeu deputada federal com 100 mil votos. Em 2004, ela deixaria o PT no racha histórico que deu na fundação do Psol (Partido Socialismo e Liberdade), tarefa que a candidata realizou ao lado de Heloísa Helena.

A deputada federal está no fim de seu segundo mandato e este ano pleiteia permanecer no Congresso Nacional. Sempre ligada à questão dos trabalhadores e educadores, Luciana Genro também atua na defesa das mulheres e da comunidade LGBT.

A entrevista que você confere a seguir se dá em dois momentos. A primeira parte diz respeito a uma conversa que a deputada travou com a reportagem durante a I Marcha Nacional LGBT Contra a Homofobia, realizada no dia 19 de maio. Em seguida, Luciana voltou a conversar com A Capa, agora focada mais nas eleições e propostas para LGBT.

Com exclusividade, ela diz que será preciso "muita pressão" da comunidade gay para que o PLC 122 e a união civil sejam aprovados. A respeito da posição da candidata à presidência, Marina Silva (PV), sobre o criacionismo nas escolas, Luciana Genro classifica como "cúmulo do atraso".

O que você acha da realização da Marcha Nacional? Ainda existe um preconceito muito grande no Brasil com a diversidade sexual e essas marchas são fundamentais para quebrar essas concepções atrasadas e criar um clima de maior tolerância e respeito à diversidade.

O que você acha da Marina Silva defender o criacionismo nas escolas públicas?É o cúmulo do atraso.

Qual a sua opinião sobre as bancadas religiosas?As bancadas fazem com que o Legislativo seja o poder mais atrasado no reconhecimento dos direitos homossexuais e na luta contra a homofobia.

Você é otimista ou pessimista em relações às questões gays?Eu sou otimista. Acredito que o caminho vai para frente e nós vamos conseguir avançar, mas a custa de muita pressão.

De que maneira você pretende abordar a questão LGBT em um novo mandato?Como sempre abordei: apoiando as causas da comunidade LGBT, como o projeto que criminaliza a homofobia, e defendendo a livre orientação sexual.

Acredita na tese de que apoiar publicamente a questão gay faça com que o candidato perca votos?Pode até fazer em setores mais reacionários, mas não me preocupo com isso.

Assistimos neste momento ao brutal assassinato da Eliza Samudio e ficamos sabendo que ela já havia denunciado o jogador Bruno por agressão. Também escutamos comentários dizendo que ela era "maria-chuteira" e que andava com jogadores para cima e pra baixo. Pergunto: o que você acha dessas justificativas em torno de crimes machistas e homofóbicos: "a menina mereceu porque levava uma vida de vários companheiros", ou, "o gay mereceu apanhar/morrer porque era afeminado e dava muita pinta"?É o fim da picada! Não tenho palavras para definir a falta de caráter de alguém que ousa dizer isso!

Acredita que na próxima legislatura avançaremos nas questões da criminalização da homofobia, união civil e adoção? A cada ano temos pequenos avanços na sociedade, no sentido de diminuir o preconceito. Não sei se será neste ano que vem, mas tenho certeza que em breve conseguiremos. Mas será preciso muitas marchas, mobilização e pressão para dobrar o conservadorismo do Congresso Nacional.

A lei Maria da Penha foi aprovada, mas os crimes contra as mulheres ainda continuam frequentes. Caso o PLC 122 seja aprovado, pode ser que pouco ajude a diminuir os crimes homofóbicos. O que fazer além de se aprovar leis que criminalizam atos discriminatórios?As leis são um reflexo dos avanços já conquistados na sociedade. Temos que seguir a luta, e fazer com que os direitos proclamados nas leis sejam cumpridos.

Em relação aos temas dos Direitos Humanos, que nota você dá para essa legislatura do Congresso Nacional que chega ao fim?
Me parece que a nota é zero. Não foi aprovada nenhuma lei que significasse avanços.

Partes dos setores religiosos atuam nos Parlamentos a fim de impedir que os projetos de leis ligados à questão LGBT avancem. O que você acha dos partidos políticos negociarem votos com estes setores?Faz parte do balcão de negócios que a maioria dos partidos se submete. Abrem mão de seus ideais em troca de apoio. Sou contra isso e meu partido não faz parte desse jogo.


http://acapa.virgula.uol.com.br/site/noticia.asp?origem=slide&codigo=11330&target=_self&titulo=%22Os+partidos+abrem+m%E3o+de+seus+ideais+em+troca+de+apoio+dos+religiosos%22%2C+diz+Luciana+Genro

O que havia antes do bullying?

08/07/2010
Por Jean Wyllys
Esta semana a Justiça condenou um estudante adolescente de Belo Horizonte a pagar uma indenização de R$ 8 mil por ter praticado “bullying” contra uma colega de sala de aula. Segundo os pais da vítima, o menino costumava chamar a garota de “tábua” e de “prostituta” e, não contente em lhe dar apelidos ofensivos, teria tentado cortar os cabelos da colega à força, levando-a a rejeitar o ambiente escolar.
Na época em que eu era colegial de escola pública, as violências verbal e física entre alunos ainda não tinha este nome – bullying - mas já existia. Naqueles meus tempos de escola, as vítimas preferenciais do bullying eram os alunos afeminados, os negros, os gordos e as meninas, necessariamente nesta ordem; quando o aluno pertencia, ao mesmo tempo, a dois ou mais grupos estigmatizados (por exemplo, uma menina negra e gorda), ele sofria as violências com mais freqüência e intensidade. Na época em que eu cursava o que hoje se chama de Ensino Fundamental, eu era constantemente vitima do bullying porque eu era sensível e afeminado. A violência não me levou sequer a pensar em desistir da escola, pois, meu amor pelo conhecimento e a certeza de que este me tiraria da miséria em que vivia superavam qualquer medo. Porém, o bullying me impedia de desfrutar de todo ambiente escolar. Por exemplo, na hora do recreio, eu não costumava sair da sala de aula por temer os apelidos e outras violências por parte de meus colegas. Mas nem todas as vitimas eram resistentes como eu. Muitas sucumbiram e abandonaram a escola. E a julgar pela notícia que abre este artigo, o ambiente escolar, em se tratando da violência entre alunos, não melhorou de lá para cá. A única diferença é o recurso à Justiça e o pedido de reparação pelos danos morais do bullying. Mas, como diz o poeta, as leis não bastam, os lírios não nascem só das leis.
O combate ao bullying passa por políticas de educação que estimulem, entre os alunos (e também entre os professores!), os valores humanistas e o respeito à diversidade. Porém, para falar em diversidade, é preciso, antes, falar de identidade. O que é uma identidade ou o que é ter identidade?
Este conceito – identidade – está presente em nosso cotidiano e em nossas relações mesmo que a gente não saiba. E o objetivo de discuti-lo é justamente melhorar a qualidade de nossas relações. E quando falo em melhoria em nossas relações não me refiro apenas ao benevolente apelo à tolerância e ao respeito para com quem é diferente de nós; refiro-me ao reconhecimento da existência do outro, ao amor ao que ele tem de diferente.
Posso dizer que a identidade é aquela idéia que temos de nós próprios como sujeitos integrados, inteiros, unificados e dotados das capacidades de razão, de consciência e ação; é um sentido de si estável: a idéia e o sentimento de que nós somos nós mesmos até morrer. A identidade é isso, mas, e a diferença, o que é? A diferença é tudo que não sou; é tudo que não somos. Nós tendemos a tomar aquilo que somos como sendo a norma, a partir da qual avaliamos ou desqualificamos aquilo que não somos.
Identidade e diferença são, sobretudo, resultados de atos de fala; precisam ser nomeados. Quando nos referimos a um colega negro como “aquele escuro que faz tal coisa”, ou a outro que é sabidamente homossexual como “a bicha que dá aula em tal lugar” estamos construindo a diferença por meio da fala e desqualificando-a. As diferenças são sempre impostas a partir da afirmação das identidades. E essa afirmação implica sempre hierarquia, exclusão e classificação (homens, brancos, bonitos, magros, jovens, letrados e ricos estão por cima, são incluídos e normais; mulheres, negros, feios, gordos, velhos, ignorantes e pobres estão por baixo, são excluídos e anormais). Ou seja, a hierarquização, a exclusão e a classificação são sempre feitas a partir do ponto de vista da identidade.
Como vocês podem perceber agora, mesmo não refletindo acerca da identidade, agimos em nome dela, por isso é importante discuti-la, entender sua produção, principalmente no âmbito da educação formal, que inclui relações entre alunos e professores tão diferentes entre si.

http://jeanwyllys5005.com.br/o-que-havia-antes-do-bullying
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